Toda empresa que cresceu rápido no meio digital repete um padrão: a identidade digital virou ponto em comum entre risco, experiência e escalabilidade. Infelizmente, a forma como a segurança evoluiu não acompanhou esse ritmo.
Para quem vive esses desafios no mundo real, o resultado já é bem conhecido, com um IAM excelente, mas desconectado do antifraude e do atendimento; um IGA robusto, mas com conectores frágeis e fluxos manuais; um PAM bem implementado, mas “isolado” do que acontece no cloud e no DevOps; múltiplos diretórios, múltiplas políticas, múltiplas exceções… e uma única conta para explicar o risco
É por isso que o Identity Fabric deixou de ser um termo de mercado para se tornar uma metodologia prática, com um jeito de “costurar” (de verdade) a governança, autenticação, autorização, detecção e jornada - sem depender de uma “mega ferramenta” única e sem ampliar o legado.
O que é Identity Fabric?
Identity Fabric é uma abordagem arquitetural e operacional para integrar e orquestrar capacidades de identidade (IAM/CIAM/IGA/PAM/ITDR), dados e políticas como um sistema coeso, mesmo quando as peças vêm de stacks diferentes.
Em vez de “mais uma plataforma”, pense em Identity Fabric como um plano de controle das identidades digitais, capaz de padronizar integrações, reutilizar sinais e aplicar políticas consistentes em canais, apps, nuvem, on-prem e ecossistemas completos.
O Gartner, ao discutir a evolução de IAM e o alinhamento com a Cybersecurity Mesh Architecture (CSMA), descreve a necessidade de estabelecer um identity fabric usando um framework de conectores baseado em padrões para responder “quem tem acesso ao quê”, independentemente de onde usuários e recursos estejam.
Por que isso é mais que integração?
Integração conecta sistemas. Identity Fabric cria comportamento consistente:
- políticas reaproveitáveis (não reescritas a cada app);
- eventos e sinais compartilhados (login suspeito, sessão anômala, device risk, fraude);
- governança contínua (não só “campanhas” trimestrais);
- orquestração de jornada (usuário, operador, fornecedor, workload, agente de IA).
Como o Identity Fabric virou metodologia de segurança?
Se antes o atacante precisava “arrombar a porta”, hoje ele prefere entrar com a chave certa - só que essa chave pode ter sido comprada, vazada, clonada por infostealer ou nascida de uma cadeia de confiança mal costurada entre sistemas.
A consequência é que o ataque deixou de ser um evento (um ponto de invasão) e virou um processo orquestrado: credencial → sessão → elevação de privilégio → movimento lateral → abuso de API → persistência. E, nesse roteiro, o que decide o desfecho não é uma ferramenta isolada, mas o quanto sua empresa consegue conectar sinais e aplicar políticas consistentes em tempo real.
O que os dados mostram (e por que isso muda a conversa)
O Verizon DBIR 2025 é bem direto ao afirmar que credenciais comprometidas foram vetor inicial de 22% das violações analisadas. E, dentro do padrão de Basic Web Application Attacks, 88% dos casos envolveram credenciais roubadas.
Isso explica por que tantas organizações têm a sensação de estar “cobrindo buracos” e, mesmo assim, vendo incidentes nascerem em lugares previsíveis:
- login legítimo em horário estranho,
- sessão “boa demais” (sem fricção) em transação sensível,
- token/API sendo usado fora do comportamento normal,
- privilégios subindo sem que ninguém tenha pedido.
E esse é o ponto de virada: se o ataque é orquestrado, a defesa precisa ser orquestrada.
Gartner: identidade como tecido de segurança (não como ponto isolado)
Ainda em 2024, vimos o Gartner colocar de forma bem explícita ao listar tendências de cibersegurança: a recomendação é fortalecer e alavancar o “identity fabric” e usar Identity Threat Detection and Response (ITDR) para posicionar IAM como capacidade central do programa de segurança.
Em paralelo, o Gartner também alertou para um cenário que, na prática, já está batendo na porta de operações e canais digitais, com deepfakes, verificação e autenticação “em isolamento” tendem a ficar menos confiáveis. Traduzindo: um checkpoint único não sustenta confiança, o jogo é correlação de sinais e resposta coordenada.
A “costura” é onde até as empresas mais maduras ainda quebram
Quase toda empresa do nosso ICP já tem peças fortes: CIAM, IGA, PAM, MFA, ferramentas de antifraude, SIEM/XDR… O problema é que, do jeito tradicional, elas funcionam como ilhas.
E ilhas geram dois efeitos colaterais bem caros:
- Política duplicada
A mesma regra (ex.: “elevar autenticação para operação sensível”) precisa ser reimplementada em cada canal, app e time. Isso cria exceção, divergência e “atalhos” inevitáveis. - Sinais que não viajam
O antifraude detecta risco, mas o CIAM não reage.
O PAM registra elevação, mas a governança (IGA) não aprende com isso.
O SOC vê anomalia, mas não tem mecanismo rápido para “mexer” na identidade/sessão.
É por isso que soluções em silo ficam previsíveis: o atacante explora a junção entre sistemas: a costura, não o tecido.
Identity Fabric vs. abordagem tradicional
| Dimensão | Abordagem tradicional (silos) | Identity Fabric (tecido) |
|---|---|---|
| Integração | Projetos “um a um”, frágeis, caros | Conectores/padrões + reutilização |
| Políticas | Duplicadas por canal/app | Políticas componíveis e consistentes |
| Governança | Pontual (campanhas) | Contínua (eventos + sinais + analytics) |
| IAM/CIAM/IGA/PAM | Operam como “ilhas” | Operam como capacidades orquestradas |
| Resposta a incidente | Reativa, fragmentada | Sinais compartilhados + ação coordenada |
| Evolução | Trocar peça = refazer tudo | Trocar peça = preservar o desenho |
Essa tabela costuma ser o divisor de águas na conversa com diretoria, onde o ganho deixa de ser “mais controle”e passa a ser menos atrito e mais previsibilidade.
Como um Identity Fabric funciona na prática (camadas que importam)
Em projetos maduros, Identity Fabric aparece como um conjunto de camadas operacionais:
- Conectividade e identidade unificada
Conectores (SaaS, on-prem, cloud, APIs), identidades humanas e não humanas, relacionamento entre contas, papéis e atributos. - Política e autorização componível
Do “quem pode” (RBAC/ABAC) ao “em que condição” (risco, contexto, postura do device, localização, comportamento). - Sinais e telemetria (identity signals)
Eventos de login, sessão, privilégios, mudanças de permissão, criação de contas, tokens, anomalias. - Orquestração de jornada
Fluxos adaptativos: step-up, verificação adicional, bloqueio, redução de privilégio, reset, validação antifraude, self-service seguro. - Governança contínua + resposta (ITDR onde faz sentido)
Detecção e resposta focadas em identidade para reduzir dwell time e impacto, conectando IAM com SOC e operação.
Exemplos práticos
1) Varejo / e-commerce: “fraude invisível” que nasce em contas legítimas
Casos de takeover de conta, mudança de endereço, gift card, devolução, abuso de cupom podem ser resolvidos com Identity Fabric: sinais de risco (device + comportamento + histórico + fraude) acionam step-up adaptativo e restringem ações sensíveis sem derrubar conversão.
Em vez de “MFA para todo mundo sempre”, você aplica controle onde dói mais.
Na prática, isso se traduz em:
- risco baixo → fluxo normal
- risco médio → step-up (biometria/app push)
- risco alto → limitar transações sensíveis + acionar antifraude + revisão
2) Indústria / operações: o acesso privilegiado que atravessa OT, cloud e fornecedores
Com manutenção remota, terceiros, contas compartilhadas, acesso emergencial, o Identity Fabric faz com que sistemas de PAM e IGA “virem amigos” e passam a operar com:
- aprovação governada (IGA)
- elevação just-in-time (PAM)
- trilha de auditoria unificada (sinais)
O resultado é menos exceção permanente e mais operação segura.
3) Serviços financeiros: identidade como “motor de confiança” (não como barreira)
Com
deepfakes
e engenharia social evoluindo, a tese do Gartner sobre soluções “em isolamento” vira um alerta: o valor está na combinação de sinais e controles, não em um único checkpoint. Neste caso, o Identity Fabric faz com que a empresa padronize uma lógica: provar identidade, gerenciar sessão, autorizar com contexto, e governar alterações críticas. Assim, é possível garantir o controle de diferentes canais, como o onboarding, autenicação, troca de dispositivo, suporte.
Checklist: quando faz sentido priorizar Identity Fabric?
Preparamos um checklist rápido para entender a maturidade atual do seu programa de segurança de identidades. Se você marcar 3 ou mais, provavelmente já está na fase de tratar Identity Fabric como prioridade de segurança e escala:
- Temos mais de uma stack de identidade (ex.: AD/Entra + CIAM + apps legadas).
- Políticas de acesso são reescritas a cada projeto (e ninguém confia nelas).
- IGA faz governança “por campanha”, mas o negócio muda toda semana.
- PAM está “bem”, mas o risco real migrou para tokens, APIs, cloud e automações.
- Fraude e segurança disputam a jornada do cliente (e o atrito virou KPI).
- Identidades não humanas (workloads, service accounts, bots, agentes) estão crescendo sem dono claro.
- O SOC vê incidentes, mas não consegue agir no plano de identidade com rapidez.
O erro mais comum: implementar ferramentas sem “tecido”
Muita empresa tenta resolver o caos com uma sequência previsível:
- troca ferramenta A
- integra parcialmente com ferramenta B
- cria exceções para “não parar o negócio”
- vira refém de customização e consultoria infinita
O Identity Fabric corta esse ciclo porque troca a pergunta “Qual produto resolve?” para “Qual desenho nos permite evoluir com controle?”
E aqui entra a diferença de uma consultoria que “implementa” versus uma parceira que estrutura um programa. A Sec4U se posiciona exatamente assim: metodologia própria, domínio técnico e visão de negócio, com foco em autonomia e evolução contínua em Identity Security.
Como a Sec4U aplica Identity Fabric como metodologia
Na prática, nós adaptamos nossa metodologia sobre o framework, com três compromissos:
- Arquitetura antes de ferramenta
Definimos padrões de integração, papéis, domínio de identidade (workforce/customer/machine) e política componível. - Valor por caso de uso (não por “módulo”)
Priorizamos jornadas e riscos com impacto claro: fraude, privilégio, terceiros, cloud, onboarding, auditoria. - Operação sustentável
Identity Security não pode depender de “heróis internos”. A meta é autonomia: processos claros, governança contínua e KPIs que a liderança entende.
Perguntas mais comuns
- É a mesma coisa que Zero Trust?
Não. Zero Trust é um princípio (“nunca confie, sempre verifique”). Identity Fabric é a forma operacional de sustentar isso em ambientes híbridos e com múltiplas ferramentas, usando conectores, sinais e políticas consistentes (muito alinhado ao que o Gartner conecta à ideia de CSMA e identity fabric).
- Identity Fabric substitui IGA, CIAM e PAM?
Não. Identity Fabric não é um produto que “entra no lugar” de IGA, CIAM ou PAM.
Ele é a forma de fazer essas capacidades operarem como um sistema, com consistência de política e reutilização de sinais.
Pense assim:
- IGA continua sendo o motor de governança (quem deve ter acesso e por quê, ciclo de vida, auditoria).
- CIAM continua sendo o motor da jornada do cliente (cadastro, login, sessão, consentimento, experiência).
- PAM continua sendo o motor do privilégio (elevação controlada, contas privilegiadas, sessões, credenciais).
- Identity Fabric é o que
costura tudo isso para que:
- uma decisão tomada em um domínio repercuta nos outros;
- você não replique a mesma regra em cinco lugares;
- o risco “viaje” junto com a identidade (e não fique preso em uma ferramenta).
Exemplo prático:
Se um comportamento anômalo aparece no login (CIAM), isso não pode morrer no CIAM. No modelo de Identity Fabric, esse sinal pode:
- acionar step-up imediato na jornada,
- restringir ações sensíveis,
- e, se for um usuário interno/terceiro, disparar política de privilégio (PAM) e/ou revisão (IGA).
O ganho passa a ser um controle coerente, com menos retrabalho e menos exceções.
Por onde começar?
Comece pelo que gera valor rápido e reduz risco sem reimplantar tudo. A lógica é: padronizar decisões e sinais antes de tentar “integrar o mundo”.
1. Defina 1–2 políticas que precisam ser verdade em todo lugar
Ex.: “operações sensíveis exigem step-up” ou “privilégio só com justificativa e tempo definido”.
O ponto é escolher políticas que atravessam times e canais — e hoje são inconsistentes.
2. Conecte os ‘sistemas de verdade’ (onde a identidade nasce e muda)
Normalmente:
HR (ciclo de vida),
diretórios/IdP,
cloud,
apps críticos, e onde existir, antifraude e SOC.
Sem isso, você continua governando “por amostra” e apagando incêndio.
3. Escolha 2–3 casos de uso com ROI claro
Para topo–meio, aqui vão três que costumam destravar rápido:
- JIT + governança de terceiros (acesso com prazo + propósito, sem exceção permanente)
- Step-up adaptativo em ações sensíveis (reduz fraude/abuso sem matar conversão)
- Governança contínua de acessos críticos (mudança de perfil dispara revisão, não só campanha trimestral)
4. Garanta que eventos virem ação (e não só log)
Identity Fabric falha quando vira “mais telemetria”.
O que importa é: sinal → política → resposta (bloqueio, step-up, redução de privilégio, revisão, etc.).
Comece a aplicar Identity Fabric agora mesmo!
Se hoje sua empresa já tem IAM/CIAM/IGA/PAM, mas sente que “a soma não vira sistema”, o próximo passo não é trocar tudo — é desenhar o tecido.
A Sec4U pode apoiar com um diagnóstico consultivo (arquitetura + casos de uso + roadmap) para estruturar um Identity Fabric aplicável, alinhado a risco, jornada e compliance — sem promessas irreais, com método e governança.
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