Shadow AI: o novo risco invisível para a segurança das empresas
January 16, 2026

A adoção da Inteligência Artificial Generativa, ou só GenAI, virou um “atalho” de produtividade em muitas áreas. O problema é q esse atalho vem acontecendo fora de qualquer governança, com pessoas usando ferramentas e modelos sem aprovação, sem visibilidade para os times de TI/Segurança e sem controles de identidade digital. Esse fenômeno tem nome: Shadow AI.


E ele é especialmente crítico para organizações que já investem (ou estão amadurecendo) em gestão de identidades com IAM, IGA, PAM e CIAM, porque Shadow AI costuma nascer justamente no ponto em que identidades digitais, dados e automação se encontram.


Este artigo explora como o Shadow AI emerge como um novo risco à segurança e conformidade, especificamente por contornar os controles de IAM (Gestão de Identidades e Acessos) e as exigências da LGPD e como o  AI TRiSM surge como uma solução prática para restaurar a visibilidade e a governança necessárias para gerenciar essa ameaça sem comprometer a inovação.


Por que Shadow AI virou um tema de segurança (e não só de tecnologia)


Shadow AI é a evolução do “shadow IT”, mas com um agravante: IA processa, transforma, aprende e replica padrões a partir do que recebe. Isso aumenta o impacto de vazamentos, uso indevido de dados e decisões automatizadas sem rastreabilidade.


E o mercado já está sinalizando o tamanho do problema: previsões e levantamentos recentes apontam o risco crescente de incidentes e não conformidades associados ao uso não autorizado de IA.


O que muda na prática?

Quando uma área envia uma base de clientes para resumir conteúdo e gerar insights, cola trechos de contratos para analisar cláusulas, ou integra um plugin de IA num fluxo interno, três perguntas aparecem imediatamente:

  • Quem acessou o quê? (identidade, privilégio, rastreabilidade)
  • Que dado foi exposto? (pessoal, sensível, segredo de negócio)
  • Onde isso ficou registrado/retido? (logs, prompts, provedores, terceiros)

Onde o Shadow AI “quebra” o IAM sem fazer barulho

Um bom programa de IAM costuma ser projetado para garantir autenticação, autorização e auditoria em sistemas “conhecidos”. Shadow AI nasce nos “não mapeados”:


1) Identidades viram “ponte” para dados (e não só para apps)

Um usuário autenticado em um SaaS pode adicionar extensões, conectores, copilotos e ferramentas paralelas, muitas vezes com tokens, cookies, APIs e escopos que passam longe do seu desenho original de risco.


Ponto de atenção
O risco não é “IA usar senha”, mas
operar com sessões, tokens e integrações que herdam permissões - e ampliam a superfície de ataque e vazamento.


2) PAM vira requisito para “credenciais invisíveis”

Chaves de API, service accounts e secrets usados para conectar IA em bases internas (CRM, data lake, tickets, repositórios) frequentemente ficam em:

  • scripts locais;
  • ferramentas de automação;
  • notebooks;
  • repositórios sem gestão de ciclo de vida.


3) IGA perde governança em fluxos “fora do catálogo”

Se o uso de IA não está inventariado, é muito provável que não exista:

  • trilha de aprovação;
  • definição de proprietário do processo;
  • revisão periódica de acesso;
  • segregação de funções.


Shadow AI e LGPD: por que o risco aparece antes do incidente

A LGPD exige que agentes de tratamento adotem medidas técnicas e administrativas para proteger dados de acessos não autorizados e situações indevidas.


Se um Shadow AI envolver dados pessoais (e quase sempre envolve), ele acaba pressionando pontos chave de conformidade:

  • Finalidade e adequação: a IA está sendo usada para qual propósito? É compatível com o informado ao titular?
  • Necessidade: entrou dado demais no prompt? (ex.: nomes, e-mails, telefones, documentos, IDs, conversas)
    Segurança e prevenção
    : existiam controles para impedir exfiltração?
  • Prestação de contas: você consegue provar o que aconteceu? (logs, trilhas, justificativas)


Na prática, o Shadow AI costuma ser “invisível” porque não nasce como projeto, mas como um teste e depois vira hábito. E hábitos não passam por comitê, não geram requisitos, não criam controles

Por que AI TRiSM é o caminho natural para solucionar o Shadow AI


O Gartner define AI TRiSM (AI trust, risk and security management) como um conjunto de práticas e capacidades para garantir governança, confiabilidade e proteção de dados em iniciativas de IA. 

Em outras palavras, o AI TRiSM é o guarda-chuva que conecta uso de Inteligência Artificial + risco + segurança + compliance sem matar a produtividade das equipes e a velocidade do negócio.


O que AI TRiSM muda na prática

Ele tira a conversa do “pode/não pode IA” e coloca no “quais usos, com quais dados, sob quais controles”.

Isso normalmente envolve:

  • inventário de usos de IA (inclusive “não oficiais”),
  • políticas e classificações de dados para IA,
  • monitoramento e enforcement,
  • auditoria e melhoria contínua.


Quadro prático: Shadow AI sob a ótica de IAM, LGPD e AI TRiSM

Cenário comum de Shadow AI Impacto no IAM Impacto na LGPD Controle recomendado (AI TRiSM)
Colaborador cola dados de clientes em IA pública para “resumir” Falta de DLP + ausência de governança de uso Exposição indevida de dados pessoais; dificuldade de prestação de contas Política de uso + classificação + monitoramento de tráfego e dados
Time integra plugin/agente de IA em app SaaS com permissões amplas Escopos OAuth excessivos; ausência de revisão Acesso excessivo e desnecessário a dados pessoais Catálogo de apps/IA + aprovação + revisão periódica de escopos
Chave de API em script/notebook para IA consultar base interna Falha de gestão de secrets; PAM ausente Vazamento de dados e impossibilidade de rastrear agente PAM + rotação + vault + mínimo privilégio
“Copiloto” acessa repositórios internos e tickets sem segregação IGA não cobre o fluxo; falta de SoD Tratamento fora da finalidade; risco de exposição de dados sensíveis Modelos de acesso + segregação + logging e auditoria
IA usada para triagem automática em processos (RH, crédito, fraude) sem governança Decisões sem rastreabilidade e accountability Risco regulatório e de transparência Governança + validação + monitoramento contínuo (TRiSM)

AI TRiSM: do conceito à prática

À medida que o uso corporativo de IA se intensifica, começam a surgir no mercado plataformas especializadas em AI TRiSM, focadas em trazer visibilidade, controle e governança para um cenário cada vez mais distribuído e difícil de mapear.


Essas soluções atuam, por exemplo, em:

  • descoberta de usos de IA dentro da organização,
  • inspeção de prompts e fluxos de dados,
  • definição e aplicação de políticas,
  • monitoramento contínuo de riscos associados à IA.

Algumas empresas, como a AllTrue, vêm se posicionando exatamente nesse espaço de governança e segurança para IA, reforçando que Shadow AI deixou de ser uma hipótese e já exige controles específicos, além dos tradicionais de IAM e segurança da informação.


Esse movimento mostra uma tendência clara: governar IA não é apenas uma decisão tecnológica, mas uma evolução natural da estratégia de identidade, dados e risco.

Ponto importante


Plataformas de AI TRiSM não substituem IAM, IGA ou PAM. Elas
complementam esse ecossistema, endereçando riscos específicos do ciclo de vida da IA — especialmente onde o Shadow AI surge.


Onde entra a Sec4U: identidade digital como base para IA segura


Na Sec4U, partimos de um princípio simples: identidades representam pessoas, e, por isso, precisam ser protegidas com clareza, responsabilidade e controles que funcionem no mundo real.

Isso vale ainda mais quando IA entra no jogo, porque a identidade digital vira o “sistema circulatório” que conecta dados, automação e decisão.


Identity Fabric como mentalidade (e não mais um stack)

Para lidar com Shadow AI, muitas empresas precisam sair de um IAM em unidades isoladas e evoluir para uma visão conectada e orientada a risco, alinhada ao que o Gartner descreve como uma evolução do IAM para um sistema de sistemas, conectado e “risk-aware”.


Enquanto plataformas como a AllTrue endereçam controles específicos de AI TRiSM, a maturidade real depende de como esses controles são integrados à estratégia de identidade, LGPD e risco do negócio.


É exatamente aí que a Sec4U se posiciona:

  • conectando AI TRiSM com IAM, IGA e PAM;
  • evitando soluções isoladas;
  • estruturando uma jornada de maturidade, não apenas a adoção de uma ferramenta.


Como o mercado está respondendo ao Shadow AI

O avanço do Shadow AI deixou claro que o desafio não é mais “se” a IA será usada, mas como ela será governada. Empresas que já passaram pelo ciclo do shadow IT reconhecem o padrão: quando a inovação corre mais rápido que os controles, o risco se acumula de forma silenciosa.


Se você quer entender, de forma prática, como o Shadow AI já está presente no dia a dia da empresa e quais ações fazem mais sentido no seu contexto, fale com nossos especialistas e realize um diagnóstico completo.


Antes de qualquer ferramenta, o passo mais estratégico é enxergar o problema com clareza para decidir com base em risco real, não em suposições.

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