Uma instituição de saúde, como um hospital ou central de exames, pode reunir milhares de profissionais, pacientes, prestadores e fornecedores interagindo diariamente com sua estrutura digital. Mas o universo de identidades presente nesse ambiente vai muito além das pessoas.
Contas de serviço mantêm aplicações em funcionamento, enquanto equipamentos conectados enviam dados para plataformas clínicas e APIs consultam informações em tempo real. Por trás disso, integrações conectam prontuários eletrônicos, sistemas laboratoriais, plataformas de diagnóstico e aplicações administrativas muitas vezes sem que ninguém perceba quantos pontos de acesso isso representa.
E por trás de cada uma dessas operações existe uma identidade capaz de se autenticar, receber permissões e acessar determinados recursos. São as chamadas NHIs, sigla para Non-Human Identities, ou identidades não humanas.
A expansão dessas identidades acompanha a própria transformação digital da saúde. A meta não é frear integrações, automações e equipamentos conectados, pelo contrário: eles são cada vez mais importantes para conectar jornadas, reduzir atividades manuais e tornar as operações mais precisas e eficientes.
A saúde digital criou um novo mapa de identidades digitais
Em um programa de identidades tradicional, a gestão de acessos se concentra apenas nas pessoas: quem entrou na organização, qual função exerce e quais sistemas precisa utilizar. Hoje, uma parcela enorme das operações ocorre por meio de integração entre aplicações, equipamentos, serviços e automações que também precisam se autenticar antes de acessar dados ou executar ações.
Uma integração entre o sistema laboratorial e o prontuário eletrônico, por exemplo, utiliza uma conta técnica só para transmitir resultados e essa conta, na prática, é invisível para os usuários. O mesmo vale para um equipamento de imagem que armazena exames em um repositório, ou para uma aplicação de agendamento que consulta dados de pacientes via API.
Em todos esses casos existe uma identidade digital com credenciais, permissões e uma finalidade operacional.
As pesquisas do setor confirmam essa tendência. Em um estudo global divulgado pela SailPoint, 69% das organizações pesquisadas afirmaram possuir mais identidades de máquina do que identidades humanas. Além disso, nessa mesma pesquisa, 72% dos profissionais de identidade consideraram as identidades de máquina mais difíceis de administrar. Os principais motivos apontados são processos inadequados, atividades manuais e limitações das ferramentas utilizadas.
Isso mostra que mapear a infraestrutura digital de uma organização exige olhar além das informações de pessoas, incluindo workloads, equipamentos médicos e IoTs, contêineres e rotinas automatizadas no radar da segurança.
O que são NHIs?
NHIs são identidades digitais utilizadas por entidades que não são pessoas. Elas permitem que aplicações, máquinas, workloads, bots, APIs, equipamentos e outros componentes se autentiquem e executem ações dentro de um ambiente tecnológico.
Quando analisamos uma NHI, é importante ir além da senha ou do certificado e considerar:
- A entidade que utiliza o acesso;
- As contas associadas;
- As credenciais, chaves, certificados ou tokens utilizados;
- As permissões concedidas;
- Os sistemas e dados acessados;
- O ambiente no qual a identidade opera;
- A finalidade que justifica sua existência;
- A pessoa responsável pelas decisões relacionadas a ela.
Contas de serviço são um exemplo comum, mas não representam todo o universo das Non-Human Identities. Uma mesma aplicação pode utilizar diferentes contas em servidores, bancos de dados, plataformas de nuvem e ferramentas de integração.
Por isso, governar identidades não humanas exige correlacionar contas e credenciais aos recursos técnicos que elas atendem. Essa correlação permite deixar de enxergar apenas nomes técnicos isolados e passar a compreender a identidade, sua função e suas relações de acesso.
Na saúde, as identidades não humanas aparecem em diferentes pontos da operação. Elas sustentam sistemas clínicos, conectam equipamentos, permitem a troca de dados e executam processos automatizados. O mapa abaixo reúne alguns dos exemplos mais presentes nesse ecossistema:
Por que as NHIs representam um desafio particular na saúde?
Identidades humanas costumam ter eventos relativamente claros de ciclo de vida: admissão, mudança de função, afastamento e desligamento. No contexto das NHI, esses marcos podem estar dispersos em projetos, contratos, inventários técnicos e decisões de arquitetura.
É comum uma conta criada durante a implantação de um sistema continuar ativa muito depois de o projeto ter terminado, às vezes porque ninguém sabe mais se algo ainda depende dela. Uma integração antiga segue rodando mesmo após a plataforma que a originou ter sido parcialmente substituída. E um equipamento pode trocar de unidade, passar por uma atualização ou ser desativado sem que as credenciais associadas a ele sejam revisadas.
A criação e a manutenção dessas identidades também costumam envolver áreas diferentes. Infraestrutura, desenvolvimento, engenharia clínica, fornecedores e equipes de segurança podem administrar partes distintas do processo.
Sem um modelo compartilhado, a organização encontra dificuldade para responder perguntas básicas:
- Qual é a finalidade desta identidade?
- Quem responde por ela?
- Que sistemas e dados ela acessa?
- Suas permissões continuam adequadas?
- Quando o acesso deve ser revisto?
- Qual evento determina sua desativação?
Quando acrescentamos equipamentos, integrações e contas de serviço a esse cenário, a governança precisa acompanhar não apenas quem acessa, mas também o que acessa, com qual finalidade e durante quanto tempo.
Disponibilidade clínica, ambientes heterogêneos e responsabilidades distribuídas
A alteração de um acesso na área da saúde exige planejamento para evitar impactos na operação.
Desativar uma conta técnica sem compreender suas dependências pode interromper uma integração relevante para o atendimento. Entretanto, manter acessos indefinidamente pela falta de documentação dessas dependências também limita a capacidade de governança e pode criar brechas de segurança.
Esse equilíbrio exige contexto. Uma identidade relacionada a um equipamento de apoio diagnóstico não deve ser tratada da mesma forma que uma credencial usada por uma automação administrativa.
Criticidade, finalidade, dados acessados, frequência de uso, ambiente e impacto operacional devem orientar as políticas.
A diversidade de tecnologias acrescenta outra camada nesse cenário, já que hospitais, clínicas e laboratórios convivem com sistemas modernos e legados, equipamentos de diferentes tipos e fabricantes, além de integrações desenvolvidas em momentos e linguagem distintos.
Contas de serviço não são apenas credenciais técnicas
Um dos principais obstáculos para a governança de NHI está na forma como contas de serviço são tradicionalmente tratadas.
Muitas vezes, elas são registradas como elementos técnicos: um nome de conta, uma senha armazenada em um cofre ou um certificado instalado em determinado servidor. Essas informações são importantes, mas não explicam completamente o acesso.
Para governar uma conta de serviço, não basta saber o nome dela e onde a senha está guardada. É preciso entender qual aplicação ou processo depende dela, quem pode solicitar mudanças e aprovar permissões, que impacto uma indisponibilidade geraria e quais outras contas compõem a mesma identidade de máquina.
A SailPoint define uma identidade de máquina como o agrupamento de contas, credenciais e permissões atribuídas a uma entidade não humana. Essa visão permite reunir, por exemplo, todas as contas utilizadas por uma aplicação hospitalar em uma identidade central, facilitando a supervisão e o encerramento coordenado quando a aplicação for descontinuada.
Como o IGA amplia a governança das identidades não humanas?
IGA, ou Identity Governance and Administration, é a disciplina que organiza como identidades digitais e acessos são conhecidos, concedidos, alterados, revisados e removidos.
Dentro de uma estratégia de Identity Security, o IGA ajuda a responder:
- Quem ou o que possui acesso?
- A quais recursos?
- Por qual razão?
- Quem aprovou?
- Esse acesso continua adequado?
- Quando deve ser modificado ou encerrado?
A governança precisa acompanhar a diversidade de identidades presentes no ambiente digital, considerando os acessos e as finalidades de cada uma delas.
Descoberta, inventário e contexto
Um dos principais benefícios de ampliar o IGA para identidades não humanas é obter mais visibilidade sobre contas, acessos, responsáveis e dependências.
- Nome técnico;
- Aplicação ou equipamento relacionado;
- Ambiente, finalidade proprietário;
- Credenciais associadas;
- Permissões,dependências; eriticidade;
- Data da última revisão.
Um inventário eficiente precisa acompanhar a dinâmica do ambiente, oferecendo informações que apoiem as decisões de acesso e a governança das identidades, facilitando, inclusive, processos de auditoria.
Propriedade e responsabilidade
Uma identidade não humana não pode justificar o próprio acesso nem participar de uma revisão, por isso toda NHI precisa de uma pessoa ou área responsável, alguém que valide sua finalidade, aprove permissões, responda por mudanças e confirme se ela continua necessária.
O ciclo de vida de uma NHI começa quando surge uma necessidade legítima: uma nova aplicação, um equipamento, uma API, uma integração ou uma automação.
A criação deve sempre passar por solicitação e aprovação de forma totalmente rastreável e auditável. Durante sua operação, e em todas as mudanças de versão, ambiente, arquitetura ou fornecedor é necessário registrar todo e qualquer tipo de ajuste. E, quando essa identidade não estiver mais em uso,deve ser suspensa ou removida de forma coordenada.
A automação pode apoiar esses processos ao:
- Registrar solicitações;
- Aplicar fluxos de aprovação;
- Provisionar acessos;
- Acionar revisões e
- Identificar identidades inativas;
- Coordenar alterações e;
- Registrar evidências;
- Realizar ou solicitar a desativação.
Vale destacar que em ambientes de saúde e em qualquer outro ambiente de alta criticidade, ações automatizadas precisam respeitar dependências sistêmicas. Antes da remoção de uma identidade digital, é necessário compreender quais aplicações, integrações ou equipamentos dependem dela.
Revisões e certificações de acesso
Uma permissão corretamente concedida pode deixar de ser adequada com o tempo.
As revisões permitem confirmar se a NHI continua necessária, se seu proprietário permanece correto e se seus acessos correspondem à finalidade atual.
Uma boa campanha de certificação não deve apresentar apenas nomes técnicos pouco compreensíveis. A área responsável precisa receber contexto suficiente para tomar uma decisão:
- Aplicação relacionada e finalidade;
- Ambiente, dados acessados e criticidade;
- Última utilização;
- Dependências;
- Histórico de alterações.
Esse contexto reduz erros de decisões automáticas de aprovação e/ou revogação e torna a revisão mais útil para a governança, já que as ações relacionadas às identidades não humanas geralmente são bastante críticas e podem gerar um impacto imenso na operação.
IGA, PAM e gestão de segredos: controles complementares
A governança de NHI não substitui soluções de gestão de segredos, certificados ou acessos privilegiados. Esses controles desempenham funções diferentes, mas complementares dentro de uma estratégia mais ampla de Identity Security.
| Controle | Principal função |
|---|---|
| IGA | Governar identidade, propriedade, finalidade, aprovação, ciclo de vida e revisões |
| PAM | Proteger e controlar acessos privilegiados |
| Gestão de segredos | Armazenar, proteger e rotacionar senhas, chaves, tokens e certificados |
| ITDR | Detectar e responder a comportamentos ou ameaças relacionados a identidades |
| CMDB e inventários técnicos | Registrar ativos, sistemas, configurações e dependências |
Uma plataforma de gestão de segredos (secrets management) pode proteger a credencial usada por uma integração e o IGA complementa esse controle ao responder por que o acesso existe, quem o aprovou, a qual identidade pertence e quando deve ser revisto.
Como aplicar a governança em hospitais, clínicas e laboratórios?
Uma estratégia viável e aconselhável é começar pelos processos mais relevantes, permitindo que o mapeamento do ambiente avance de forma gradual e estruturada.
Em um hospital, o primeiro escopo pode reunir identidades relacionadas ao prontuário eletrônico e às integrações com sistemas de laboratório e imagem.
Em uma rede de clínicas, a prioridade pode estar nas APIs que conectam agendamento, cadastro, faturamento e portais de terceiros.
Em um laboratório, contas técnicas associadas ao LIS (Laboratory Information System ou Sistema de Informação Laboratorial) , equipamentos analíticos e plataformas de entrega de resultados podem formar um recorte inicial coerente.
| Frente | Pergunta orientadora | Resultado esperado |
|---|---|---|
| Descoberta | Quais NHI existem nas fontes priorizadas? | Inventário inicial de identidades e contas associada |
| Contexto | Qual processo, aplicação ou equipamento justifica cada identidade? | Finalidade e criticidade documentadas |
| Propriedade | Quem responde pelas decisões de acesso? | Responsável humano definido |
| Políticas | Quais acessos e revisões são adequados ao risco? | Controles consistentes por categoria |
| Automação | Quais eventos iniciam, alteram ou encerram o ciclo? | Workflows rastreáveis |
| Métricas | Como acompanhar a cobertura da governança? | Indicadores de propriedade, revisão e tratamento |
A partir desse primeiro escopo, a organização pode estabelecer critérios comuns e evoluir por ciclos. O objetivo é construir um modelo replicável, capaz de incorporar novas fontes sem perder qualidade de informação ou clareza de responsabilidade.
SailPoint e Sec4U: tecnologia integrada à estratégia
A evolução do mercado de Identity Security está levando as plataformas de IGA a ampliar a governança para além das identidades humanas.
A SailPoint oferece recursos voltados à descoberta, classificação, atribuição de propriedade e gestão do ciclo de vida de contas de serviço, bots, RPAs e outras identidades de máquina, integrando essas identidades a uma visão mais ampla de governança e acesso.
Para organizações de saúde, essa abordagem ajuda a reduzir a fragmentação entre contas técnicas e processos de governança. A parceria entre Sec4U e SailPoint e reúne essas duas dimensões. A SailPoint oferece capacidades tecnológicas de Identity Security e IGA, tanto para identidades humanas como não humanas, e a Sec4U foca na atuação especializada, metodologia e experiência em projetos de governança, conectando a plataforma aos processos, aos riscos e aos objetivos de cada organização.
Como Admiral Partner da SailPoint, a Sec4U apoia empresas na avaliação, implantação, sustentação e evolução de programas robustos de identidades digitais.
Em ambientes de saúde, essa visão contextual é indispensável para uma operação segura e escalável. A governança deve ampliar a visibilidade e o controle sem criar barreiras desnecessárias para o atendimento, a interoperabilidade ou a inovação.
Contas de serviço, equipamentos, aplicações e integrações já sustentam processos essenciais do setor, por isso, incorporar essas identidades à estratégia de Identity Security permite que a evolução digital seja acompanhada por responsabilidades claras, acessos coerentes e ciclos de vida mais bem estruturados, permitindo um crescimento acelerado sem abrir mão da segurança das identidades.
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