Tendências de Identity Security para 2026: o que as empresas precisam fazer para crescer com segurança
January 8, 2026

Janeiro de 2026 começa diferente de outros ciclos de “previsões”. As principais tendências de cibersegurança não são só apostas futuras, elas já estão em produção, impactando operações, receitas, auditorias e a forma como empresas escalam seus negócios digitais.


Relatórios de players globais apontam que o foco da segurança migrou definitivamente da infraestrutura para o controle de acessos, comportamentos e decisões automatizadas. A identidade deixa de ser apenas um mecanismo de autenticação e passa a operar como camada estrutural de confiança digital.


Este artigo reorganiza essas previsões sob uma ótica prática e estratégica, conectando as tendências globais de 2026 ao impacto real nos negócios e ao papel da Identity Security como habilitadora de crescimento sustentável.


Nesse cenário, falar de tendências sem traduzi-las para uma decisão estratégica não é suficiente. O desafio real para líderes de Segurança, TI, Risco, Compliance e Produto é como reorganizar a gestão de identidades digitais para sustentar crescimento, automação e inovação sem ampliar riscos.


É exatamente nesse ponto que a Identity Security deixa de ser uma disciplina operacional e passa a ser estratégia de negócio.


O que conecta as principais tendências de 2026: identidade como superfície de ataque, controle e evidência


IA ofensiva, agentes autônomos, ransomwares mais seletivos, novas exigências regulatórias e cadeias digitais cada vez mais complexas parecem fenômenos distintos. Na prática, todos convergem para o mesmo ponto de fragilidade: acessos mal governados.


Segundo análises reunidas pelo Cyber Security Brazil, o abuso de credenciais válidas já é o principal vetor de incidentes relevantes no Brasil, alinhado ao cenário global.


Isso ocorre porque as empresas operam hoje com:

  • Mais identidades digitais do que pessoas (humanas, técnicas, APIs, agentes).
  • Ambientes distribuídos e altamente integrados.
  • Decisões cada vez mais automatizadas.


Nesse contexto, qualquer fragilidade na gestão de identidades deixa de ser localizada e passa a ser sistêmica, afetando operações, compliance, receita e reputação.


Tendência 1: IA ofensiva acelera ataques baseados em identidade, não em vulnerabilidade


Um dos pontos mais consistentes entre os relatórios globais é a consolidação da IA como ferramenta ofensiva, e não apenas defensiva. Segundo o WeLiveSecurity, ataques em 2026 utilizarão a inteligência artificial para escalar engenharia social, deepfakes, voice phishing (vishing) e campanhas de ataque altamente personalizadas.


O efeito prático disso é uma quebra do modelo tradicional de defesa. Mesmo ambientes com MFA e boas práticas técnicas passam a ser vulneráveis quando:


  • Usuários são induzidos a aprovar acessos indevidos que parecem legítimos.
  • Fluxos de exceção não são realmente monitorados.
  • A identidade é validada, mas o comportamento não é analisado.


Em vez de explorar falhas de software, os atacantes exploram decisões humanas e contextos frágeis, o que reforça a necessidade de modelos baseados em detecção comportamental de identidade, não apenas autenticação.


Sem uma estrutura adequada, o risco não é apenas técnico. É regulatório, jurídico e de negócio.


Tendência 2: identidades não humanas e agentes de IA se tornam o maior vetor de risco invisível


Relatórios do Dark Reading e do Google Cybersecurity Forecast 2026 indicam que, em muitas organizações, o volume de identidades não humanas já é maior que as identidades humanas.


Essas identidades incluem contas de serviço, APIs, robôs de automação, pipelines de CI/CD e agentes autônomos baseados em IA. Mas o problema não está na existência delas, e sim no fato de que elas frequentemente operam:

  • Sem dono definido.
  • Sem ciclo de vida.
  • Com privilégios excessivos.
  • Fora de processos formais de governança.


O Google Cybersecurity Forecast 2026 ainda destaca que, com a adoção de agentes autônomos, surge o conceito de agentic identity management, no qual cada agente passa a ser tratado como uma entidade digital com identidade própria, permissões dinâmicas e responsabilidade associada.

Sem isso, o risco não é apenas técnico e pode colocar o negócio em uma situação delicada, com alto risco de incidentes.


Tendência 3: ITDR se consolida como resposta ao modelo preventivo


Outra convergência clara entre os relatórios é o reconhecimento de que autenticação forte, isoladamente, não é mais suficiente. Segundo o Dark Reading, 2026 marca a consolidação do ITDR (Identity Threat Detection and Response) como camada essencial.

Isso ocorre porque os ataques modernos:

  • Não quebram autenticação
  • Não exploram zero-days
  • Não geram alertas tradicionais


Eles operam dentro do “esperado”, usando identidades válidas de forma inesperada.

Sem ITDR, as empresas:

  • Detectam incidentes tarde
  • Reagem apenas quando o dano já ocorreu
  • Têm dificuldade de explicar o ocorrido a auditores e conselhos


Com ITDR, a identidade digital passa a ser analisada como comportamento contínuo, permitindo detecção precoce, priorização de riscos reais e integração efetiva com SOCs e resposta a incidentes.


Tendência 4: AI TRiSM sai do discurso e entra na governança real


Empresas já utilizam IA em atendimento, análise de crédito, prevenção a fraudes e automação operacional. Em 2026, reguladores e conselhos deixam de perguntar “vocês usam IA?” e passam a perguntar:

  • Quem pode acionar esse modelo?
  • Com quais dados ele opera?
  • Quem responde por decisões automatizadas?
  • Como acessos são revogados ou ajustados em tempo real?


AI TRiSM (Trust, Risk and Security Management) entra como disciplina prática — e identidade digital é o seu pilar central.

Sem gestão de identidades:

  • Não existe confiança
  • Não existe rastreabilidade
  • Não existe governança real de IA


A segurança da IA, na prática, começa antes do modelo, na forma como acessos são concedidos, monitorados e revogados.


Tendência 4: fraude baseada em identidade se torna o principal vetor de perdas financeiras


O retorno do ransomware em 2026 não acontece em volume indiscriminado, mas em operações mais direcionadas e financeiramente estratégicas, como aponta a Forbes Tech

Esses ataques começam, quase sempre, com:

  • Comprometimento da identidade digital
  • Acesso inicial legítimo
  • Movimentação lateral silenciosa
  • Abuso de privilégios existentes
  • Uso de IA para simular comportamento humano


Fraude e ransomware passam a compartilhar o mesmo ponto de entrada: identidades mal governadas, especialmente em ambientes digitais e financeiros.

Empresas que tratam fraude, IAM e monitoramento como assuntos separados tendem a responder tarde a incidentes e de forma fragmentada.


O que muda para o negócio?

A prevenção eficaz passa a depender da correlação entre identidade digital, contexto e comportamento, algo que só é possível com uma arquitetura integrada de Identity Security.


Tendência 5: identidade digital se consolida como pilar regulatório

Em 2026, a pressão regulatória deixa de se concentrar apenas em políticas e passa a exigir capacidade comprovada de controle, rastreabilidade e governança contínua. No Brasil, esse movimento se materializa em atualizações recentes do arcabouço regulatório do sistema financeiro, que reforçam a responsabilidade das instituições sobre segurança cibernética, contratação de tecnologia, nuvem e resiliência operacional.


Nesse contexto, Identity and Access Management (IAM) deixa definitivamente de ser um tema técnico e assume papel estrutural na conformidade regulatória. Não porque a norma “exige IAM” de forma explícita, mas porque os requisitos regulatórios só são viáveis na prática quando a identidade é tratada como controle central.


À medida que reguladores passam a demandar evidências contínuas, identidade se torna a principal fonte de prova. É por meio do IAM que as organizações conseguem demonstrar quem acessou sistemas críticos, em quais condições, com qual nível de privilégio e sob qual processo de aprovação. Sem isso, conceitos como accountability, segregação de funções e governança permanecem apenas no papel.


Outro fator que acelera essa tendência é o crescimento de ecossistemas digitais de alta escala, como o Pix. O volume de transações e a criticidade dos sistemas envolvidos tornam inviáveis abordagens manuais de controle de acessos. A conformidade regulatória passa a depender diretamente de automação de identidade, integração com processos de RH e terceiros, e políticas dinâmicas baseadas em contexto e risco.


Por que a abordagem tradicional de IAM não sustenta as tendências de 2026


Grande parte das organizações ainda opera Identity Security de forma fragmentada, como resposta a demandas pontuais: um projeto de IGA para colaboradores, outro de CIAM para clientes, controles isolados para acessos privilegiados e, mais recentemente, tentativas de endereçar identidades técnicas e automações.


Esse modelo funcionou enquanto os ambientes eram mais estáticos. Em 2026, ele se mostra insuficiente porque as identidades passaram a atravessar sistemas, nuvens, processos e decisões automatizadas. O risco não está mais em um ponto específico, mas na falta de orquestração entre eles.


A diferença entre uma abordagem tradicional e uma abordagem orientada por Identity Fabric não é tecnológica, é estrutural. Enquanto o modelo tradicional tenta “proteger sistemas”, a Identity Fabric protege relações de acesso, considerando identidade, contexto, comportamento e risco de forma contínua.


É por isso que organizações mais maduras deixam de discutir apenas qual ferramenta usar e passam a discutir como conectar identidade à estratégia de negócio.


Abordagem tradicional vs. Identity Fabric na prática

Dimensão Abordagem tradicional Identity Fabric
Gestão de acessos Controles isolados por sistema ou aplicação Orquestração central baseada em identidade
Identidades não humanas Contas técnicas sem dono ou ciclo de vida Ciclo de vida, ownership e governança definidos
Detecção de ameaças Reativa, baseada em alertas técnicos Contextual, contínua e orientada a comportamento
IA e automação Fora do modelo de governança Governadas desde a origem
Compliance Evidência manual e pontual Evidência automatizada e contínua
Escalabilidade Cresce o risco junto com o negócio Cresce com controle e previsibilidade

O conceito de Identity Fabric, recomendado pelo Gartner, surge exatamente para responder a esse cenário: uma arquitetura que conecta IAM, IGA, PAM, ITDR e AI TRiSM em um tecido único, capaz de acompanhar a complexidade do negócio sem criar novos silos.


Impacto por setor: por que o risco é concreto, não teórico


As tendências de Identity Security para 2026 não afetam todos os setores da mesma forma. Elas se materializam de acordo com o nível de digitalização, criticidade operacional e pressão regulatória de cada mercado.


No setor financeiro e em fintechs, a identidade digital se consolida como o principal ativo de controle. Fraudes cada vez mais sofisticadas, decisões automatizadas em crédito e pagamentos, além de exigências regulatórias crescentes, fazem com que qualquer falha de acesso tenha impacto direto em perdas financeiras, interrupções de serviço e sanções regulatórias. Nesse contexto, IAM, ITDR e governança de identidades não humanas deixam de ser iniciativas de segurança e passam a ser mecanismos de proteção do próprio modelo de negócio.


Na indústria, o avanço da convergência entre TI e OT amplia drasticamente a superfície de risco. Ambientes que antes eram isolados passam a se conectar a redes corporativas, nuvem e fornecedores. O maior risco não está em ataques sofisticados, mas em acessos técnicos não governados, contas de serviço persistentes e privilégios excessivos em sistemas críticos. Identity Security passa a ser elemento-chave para garantir continuidade operacional e resiliência.


Já no varejo e em plataformas digitais, identidade é o ponto de equilíbrio entre experiência, segurança e receita. Jornadas digitais fluidas dependem de CIAM bem estruturado, enquanto a prevenção a fraudes exige correlação entre identidade, comportamento e contexto. Em 2026, empresas que tratam identidade apenas como login tendem a sofrer com fraudes, abandono de usuários e perda de confiança do cliente.


Em todos esses setores, a constante é a mesma: quanto mais digital e automatizado o negócio, maior o impacto de uma identidade mal governada.


O papel da Sec4U em 2026

Diante desse cenário, a Sec4U atua para ajudar organizações a superar um erro comum: tratar Identity Security como uma sequência de projetos desconectados. Em 2026, esse modelo não sustenta escala, inovação nem conformidade.


Aqui, na Sec4U, atuamos de forma consultiva e estratégica, apoiando empresas na construção de programas de Identity Security, não apenas na implementação de ferramentas. Nossa metodologia conecta identidade à realidade do negócio, considerando quatro pilares inseparáveis: estratégia, arquitetura, governança e operação.


Na prática, isso significa desenhar arquiteturas orientadas por Identity Fabric, estruturar governança de identidades humanas e não humanas, integrar detecção de ameaças baseada em identidade e garantir que a segurança acompanhe - e não limite - o crescimento da organização.

Identity Security deixa de ser um problema a ser resolvido e passa a ser um habilitador de confiança digital, eficiência operacional e crescimento sustentável.


Quer entender como preparar sua empresa para as tendências de Identity Security de 2026 sem criar complexidade desnecessária? Converse com nossos especialistas!

Acompanhe
nossas redes

Últimos Posts

Mulheres executivas em reunião de planejamento.
5 de janeiro de 2026
Entenda como integrar ITDR, IAM e SIEM para criar uma defesa multicamadas de identidades. Veja o papel da Semperis e a abordagem estratégica da Sec4U.
Equipe reunida ao redor de notebook.
30 de dezembro de 2025
Descubra os principais KPIs para medir o sucesso do CIAM e veja como a Sec4U e o authcube transformam métricas em resultados reais de negócio.
Homem negro trabalhando do sofá
16 de dezembro de 2025
Entenda por que integrar ITDR ao IAM é o novo padrão de segurança orientada a identidades e como essa estratégia acelera a resposta a incidentes críticos.